As bandeiras tarifárias e a conta de energia

bandeiras tarifárias

Em 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) instaurou o sistema de bandeiras tarifárias. Mesmo não entendendo muito bem o funcionamento desse sistema, algumas pessoas se assustam com termos como “bandeira vermelha” e “bandeira amarela”. Neste post, explicaremos como funcionam as bandeiras tarifárias, e o que você pode fazer para não se assustar com a conta de energia.

Começaremos o assunto então com um breve resumo da situação da geração da energia no Brasil.

A matriz energética brasileira

Atualmente, a eletricidade proveniente de hidrelétricas compõe 61% da matriz energética nacional. Ainda que essa fonte seja renovável, mudanças climáticas têm afetado o potencial gerador das usinas hídricas. Isto é, a falta de chuvas tem se refletido em menos energia gerada por unidade produtiva.

No entanto, a demanda segue a mesma, com picos em função dos hábitos da população. O maior extremo de consumo ocorre entre o fim da tarde e o início da noite — horário em que a maioria das pessoas chega do trabalho ou da escola e toma banho. Como se sabe, o chuveiro elétrico é um dos vilões na conta de energia, podendo ser responsável por até 40% do consumo residencial.

Dessa maneira, para compensar o gap entre a oferta e a demanda de eletricidade, e garantir que não haja apagões, são acionadas as chamadas fontes alternativas.

O impacto das fontes alternativas

No Brasil, a matriz complementar é composta predominantemente de usinas termelétricas baseadas na queima de combustíveis fósseis, como óleo diesel e carvão mineral. Pouco eficientes e altamente poluentes, o acionamento dessas fontes tem alto custo por kW produzido.

As mudanças climáticas globais têm afetado o regime hídrico e a vazão dos rios no Brasil. Por essa razão, a tendência é que a energia elétrica no país seja cada vez mais cara, caso não sejam adotadas políticas consistentes de implementação de plantas de geração de energia de fontes renováveis, tais como a energia solar.

Cada vez que as fontes alternativas são acionadas, o custo é repassado para o consumidor final. Sempre foi feito dessa maneira. Porém, para ajudar as pessoas a compreenderem melhor a conta de luz, a ANEEL decidiu avisar quando essas tarifas serão cobradas, implementando para isso o Sistema de Bandeiras Tarifárias.

Como funciona o sistema de bandeiras?

Dividido por cores – verde, amarela e vermelha – o Sistema de Bandeiras Tarifárias indica se haverá ou não acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade. As modalidades são:

TABELA 1 – Bandeiras Tarifárias, conforme ANEEL (2017).

Bandeira Condição
Custo extra por kWh consumido
Verde Favorável Sem custo extra
Amarela Menos favorável R$0,01
Vermelha – Patamar 1 Custosa R$0,03
Vermelha – Patamar 2 Mais custosa R$0,05

Fonte: ANEEL, 2017

Consumidores localizados em sistemas isolados e o estado de Roraima não estão incluídos nessa tarifação.

Assim, o Sistema de Bandeiras Tarifárias demonstra aos usuários os custos reais da geração de energia elétrica, tornando a conta de luz mais transparente e permitindo maior consciência no consumo de energia.

Como saber quando cada bandeira está em vigor?

Com base em informações provenientes do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a ANEEL publica no final do mês a bandeira tarifária em seu site.

No mesmo endereço, a Agência oferece um calendário anual para a divulgação dessas informações. Por sua vez, a bandeira vigente deve ser informada no site das distribuidoras regionais em até dois dias úteis após publicação oficial da ANEEL.

O que posso fazer para economizar energia?

Como já dissemos, o Sistema de Bandeiras Tarifárias surgiu com o intuito de ajudar o consumidor a ter mais consciência sobre seus gastos com energia e para ajudá-lo a poupar mais. Confira a seguir algumas dicas sobre como usar as Bandeiras e outras informações a seu favor.

Conheça a Tarifa Branca e economize na conta de luz

Além das Bandeiras, a ANEEL criou a opção pela chamada Tarifa Branca. Esta modalidade de cobrança, disponível para unidades de baixa tensão (127, 220, 380 ou 440 Volts), permite ao consumidor pagar valores diferentes de acordo com o dia da semana e o horário do uso.

Os valores são cobrados conforme os horários: ponta, intermediário e fora de ponta, sendo a última a mais barata. Além disso, em feriados nacionais e finais de semana, o valor cobrado é sempre o mais barato. Saiba mais sobre os horários de ponta clicando aqui.

Conforme se pode notar, a opção pela Tarifa Branca é interessante para quem deseja controlar melhor seus gastos com eletricidade. Para saber se é vantajoso para você esta opção, entre no site da ANEEL e verifique seu perfil consumidor.

Fique atento às divulgações de bandeira pelo site da ANEEL

Pelo site da ANEEL, é possível averiguar qual bandeira está em vigor e qual entrará no próximo mês. Sabendo disso, você pode se organizar para evitar ligar equipamentos que consumam muita energia nos horários de pico, tais como chuveiro, ar condicionado, secador de cabelo, entre outros.

Invista em energia fotovoltaica e aquecimento solar de água

Em 2016, foi aprovado o ProGD, política nacional de incentivo à adoção de módulos individuais de geração de energia a partir de sistemas fotovoltaicos. Além disso, com o agravamento das faltas de chuva, os consumidores têm buscado consistentemente implementar sistemas de geração de energia que independam da matriz hídrica.

Existem muitas vantagens de se investir em placas solares fotovoltaicas, entre elas podemos mencionar principalmente a economia na conta de luz e a segurança energética.

Paralelamente ao sistema fotovoltaico, uma outra forma de diminuir significativamente sua conta de energia é instalando aquecedores solares em sua residência, já que o chuveiro elétrico é responsável por até 40% do consumo residencial.

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